agosto 15, 2017

Vestidos de pecados

Nós todos carregamos a marca dos nossos pecados, embora camuflada. Não é encontrada na pele, não é tatuada, é marca que se vê estampada na alma, para que nunca nos esqueçamos dela; é relembrada dia após dia, mesmo que acreditemos termos superado.
Há diversas formas de se pecar, como é sabido, porém, acusam-se pecadores como se fossem imunes a eles.
Todas as pessoas, de uma forma ou de outra carregam tal marca.
Peca-se bajulando, pois toda e qualquer bajulação é falsa.
Peca-se invejando, desejando o que não é nosso.
Peca-se em exageros de vaidade, de gula e avareza.
Peca-se considerando ser melhor que outros.
Pecar para uns, inclusive, é até um vício, não sabem viver sem eles.
Peca-se inadvertidamente e conscientemente. O pecado existe para nos tentar e não conseguimos nos esconder.
Pecadores estão por toda parte, pecados já nasceram conosco.
Peca-se fingindo sermos inocentes, quando se conhecem as nossas culpas. Peca-se deixando de admitir.
Entende-se como um dos piores pecados, a ignorância.


do livro em andamento Histórias de nossas vidas

 

Intuição

A palavra intuição vem do latim “ intueri”, que significa considerar, ver interiormente. Quando pressentimos, estamos  usufruindo de um conhecimento que já esta dentro de nós, esperando ser ativado.
A sua manifestação é voluntária, aparece do nada e faz  com que duvidemos de algumas certezas, desconfiemos do que até já estava no lugar. Sentimos uma sensação inexplicável e somos imbuídos a segui-la, mesmo sem entender os motivos.  Grande é o desafio de aceita-la, inclusive de saber interpretá-la, já que não nos oferece base sólida.  As pessoas que tem mais facilidade são as que já puderam anteriormente trabalhar a sua auto estima, são mais propensas a confiarem no que sentem, mas qualquer um de nós é capaz.
A intuição é um dos dons mais preciosos que recebemos.
É o tal desconfiômetro, quando algo dentro da gente nos diz que devemos prestar mais atenção, aprender e observar.
Ela é nossa aliada, não é preciso teme-la.


do livro em andamento Encantamentos místicos

Energia das mãos

Tudo que nos oferece conhecimento é válido, pois é aprendendo todos os dias que nos tornamos pessoas melhores.
O ato de dar e receber por exemplo, parece simples para quem sabe fazer isso até de olhos fechados, mas não são todas as pessoas que tem facilidade.
Há quem nada dê, por medo de faltar-lhe.
Há quem dê, esperando algo em troca.
Mas há também quem pense no próximo com a importância necessária e assim dá tudo de si, sem nada cobrar. 
Dar por si só, já mostra o quanto somos desprendidos e voluntários, já que nesse mundo nada trouxemos e dele nada levamos.
A sabedoria universal está disponível para qualquer pessoa, basta que tenha a intenção de absorvê-la e praticá-la.
Inclusive, para que as energias fluam de uma forma harmoniosa em nossa vida, é interessante entender o processo, que é muito simples e não custa nada.
Toda vez que oferecer alguma coisa ou que for pagar alguém, faça isso com a mão direita e quando for receber, que seja com a esquerda. Não há briga entre elas, nenhuma é melhor que outra, mas são juntas que fazem com que haja uma circulação, invisível aos nossos olhos, mas não aos nossos sentidos. No sentido horário, mantendo esse movimento, tudo flui melhor, nada estaguina e a energia ruim, se teimar em existir, termina por dissipar-se.

do livro em andamento Encantamentos místicos

Já que estou falando de mãos, deixo neste dia, inclusive, minha homenagem aos canhotos, pois hoje comemora-se mundialmente o seu dia. Somente eles é que sabem sobre as dificuldades enfrentadas num mundo feito apenas para destros.


agosto 14, 2017

Como transformar derrotas em vitórias

1 - Entendendo que nem tudo acontece como e quando a gente espera;
2 - Aprendendo com as nossas falhas, pois numa próxima tentativa haverá maior chance de acertos;
3 - Não desistir, acreditar que o que queremos seja possível, nem que seja feito de outra forma;
4 - Não sentir-se incapaz, diminuído, pois é muito provável que grande parte dos problemas enfrentados não foram de ordem especificamente pessoal;
5 - Aproveitar melhor o tempo, reagrupando ideias, planejando futuras mudanças, ao invés de estancar no meio do caminho, considerando-se inútil;
6 - Olhar a sua volta e perceber quantas dificuldades outras pessoas passam e que as suas não são maiores e nem mais importantes;
7 - Buscar nova motivação de uma forma mais viável, para que não esbarre em limites, que pelo menos por hora não pode ultrapassar;
8 - Unir-se ainda mais aos que te querem bem, observando e excluindo invejosos;
9 - Reconhecendo erros, aceitando nossa vulnerabilidade, mas acima de tudo confiando que dias melhores virão, visualizando esse caminho tão sonhado, como se ele já existisse.


do livro em andamento Encantamentos místicos

 

agosto 11, 2017

Religiosidade

Todos queremos viver para sempre, ter uma alma imortal, não sermos esquecidos, a religião preenche muitos vazios existenciais.
A inteligência nos foi oferecida para o nosso próprio desfrute, para evoluirmos, mas a religiosidade é só uma opção.

Religião é paradoxal e contraditória, é a linguagem que escolhemos para encaixarmos quase que racionalmente coisas que não entendemos.
Por conta do nosso livre arbítrio, por estarmos aptos a tomar decisões, geralmente as que nos parecem acertadas, seguimos com nossas vidas crentes que as nossas verdades é que devem prevalecer.
Buscamos caminhos facilitados, porque sabemos que esta é uma curta jornada, diante do quanto desejamos seguir. Não nos desabona sermos assim, imediatistas, sabemos que temos pouco tempo para realizar a contento todo o esperado.
Embora saibamos quase tudo o que queremos, não sabemos tudo o que precisamos e então nos sentimos vulneráveis e um tanto solitários.
Voltamos nosso pensamento ao berço, somos como crianças a espera de colo, de alguém que possa passar a mão na nossa cabeça e resolver para nós o que sozinhos não conseguimos resolver.
Esse amor que procuramos vem do criador, o pai de todos os seres que nos acolhe e nos embala, independente de nossas escolhas. Ele está sempre disposto a nos ajudar, mesmo que nos desviemos, seja por um motivo ou outro.
Esse pai, o que chamamos de Deus é benevolente, nos aceita até com todos os nossos defeitos, nos ensina e nos orienta. Temendo castigo, aprendemos a conduzir a nossa vida de uma forma mais acertada e é assim que a religiosidade nos favorece.
Somos seres complexos, porém já completos, basta que entendamos e aceitemos as nossas limitações.


do livro em andamento Encantamentos místicos

Num dia


agosto 10, 2017

O portal

Ainda num processo de reconhecimento, após ter feito os meus recentes votos de devoção a bruxaria, já sentia-me desperta, aberta verdadeiramente a experiências não conhecidas, já provava de sensações de um mundo espiritual.
Numa madrugada deite-me na nossa cama, o colchão ficava no chão. Meu marido, que estava ao meu lado, já tinha adormecido, nada presenciou, mas eu sou daquele tipo de pessoa que custa a dormir.
Nesse processo de desligamento da mente pensante, vi um clarão na parede, que ficava logo ao meu lado. Não havia reflexo da luz de rua, já que as janelas do nosso quarto estavam fechadas.
Passei a observar atentamente e foi quando eu entendi que era uma outra janela, só que arredondada; entre eu e a luz no fundo havia uma certa distância. Nela passavam pessoas de um lado para o outro, como se fosse um corredor.
Sentia-me até certo ponto insegura, já que eu não podia explicar o que via, e então, uma delas olhou para mim. Imediatamente levantei assustada. Estaria sonhando?
Foi uma experiência completamente real, embora inusitada, mas talvez eu construa cenários irreais antes mesmo de dormir!
O fato é que me parecia não apenas uma janela, mas um portal. Se eu já estivesse preparada espiritualmente poderia passar, ir ao encontro deles e voltar quando quisesse. Como não tinha conhecimento algum de fato como esse, resolvi me resinar a minha humilde vivência terrena, pois no momento achei que se eu seguisse em frente e atravessasse, eu iria morrer.



O buraco é mais embaixo

Para que um profissional de artes, quer seja artesanal, plástica ou digital sinta-se inspirado com suas novas criações, ele só precisa de poucas, mas importantes ferramentas:
1o -  Ter bagagem, uma certa experiência, para que possa ver o quanto antes os seus projetos tomando forma;
2o -  Paz de espírito, porque um coração atormentado sofre e não dá frutos;
3o -  Motivação e foco, saber o público que deseja atingir e sentir-se empolgado com suas ideias;
4o -  Trabalhar num ambiente silencioso, harmonioso ou até com músicas do seu agrado. Gritarias, barulhos externos atrapalham demais e não proporcionam uma situação adequada.
É preciso realmente ter muita paciência para que possamos ver concretizado o que fora planejado. Somos bombardeados diariamente com interferências externas e só quando aprendemos a nos fechar para esse mundo caótico no qual vivemos, é que conseguimos dar continuidade.
O conformismo nos chega quase como uma derrota, mas não adianta brigarmos com o mundo, quando sabemos não podermos mudá-lo convenientemente.
Há centenas de trabalhadores de rua dedicando-se ao seu ganha pão, máquinas ensurdecedoras que trabalham incessantemente tirando o nosso juízo. Procuremos, então, se é a nossa única opção, trabalhar mais confortavelmente nas horas noturnas, que me parece serem horas de mais sossego.
Haja paciência, haja tolerância nossa para administrar as inconvenientes situações que nos são apresentadas e precisamos digeri-las a seco.
Cansados e desgastados, os nossos sentimentos precisam recuperar o fôlego, coisa que só gente que vive nas cidades grandes pode compreender. 
Nesse trânsito caótico dos nossos atuais dias, somos apenas pedestres a espera de uma oportunidade para atravessar com segurança as avenidas do nosso desassossego e insatisfação. 

do livro em andamento Histórias de nossas vidas

 

Homens conversando

Teria sido uma noite qualquer daquele ano, se não fosse pelo encontro que testemunhei. Ao chegar em casa de carro, entrei na garagem; ela era aberta, porque as casas daquele condomínio não tinham muros. Morava num lugar silencioso, longe da agitação das cidades.
Fiquei dentro do carro por alguns instantes, até que eu pegasse minhas coisas. Ajeitei a bolsa nos ombros e já com meus livros no braço, abri a porta para sair.
Havia nessa garagem, que ficava logo na frente, um lindo jardim de inverno. As luzes de fora estavam queimadas, mas eu podia ver as de casa. Assim que apaguei os faróis, nesse jardim vi silhuetas de dois homens conversando. A princípio pensei fosse meu marido com um amigo, mas as sombras não me eram familiares.
Pensei em abordar, mas não queria me intrometer e fiquei observando falarem tranquilamente. Um deles estava de pé, com uma das pernas apoiada num tronco de árvore, que era onde o outro estava sentado. Tentava descobrir quem eram e o que faziam lá, no escuro, e ainda fiquei confusa porque não tínhamos tal tronco no jardim.
Toda vez que eu acendia os faróis eles sumiam, bastava que apagasse, reapareciam. Fiz isso várias vezes, situação estranha que me começava a me amedrontar, principalmente porque notaram minha presença e me olharam. Eram presenças surreais, uma visão fora do comum e então corri para dentro de casa assustada.
Instantes depois meu marido saiu para fechar o carro e saber do que se tratava. Ele nada viu e até sorriu, pensando que eu estivesse imaginando coisas.
Nunca pude explicar a situação e nunca soube quem eram os homens, mas eu tenho certeza do que vi e eles estavam realmente conversando. A questão é que não eram feito de matéria como a conhecemos, eram apenas vultos, silhuetas além vida.





A primeira visão

Meus pais contaram que quando eu era bem pequena, me assustei numa noite. Não sei se gritei ou se fiquei paralisada, mas me conhecendo como me conheço hoje, eu ficaria com a segunda opção.
Disseram-me que me viram parada, olhando para o nada, de pijama e com os pezinhos descalços no chão. Ao me questionarem, eu expliquei com meu jeitinho infantil, que tinha um homem vestido de preto com capa vermelha no quarto deles.
Minha família era espírita e então me levaram num centro de umbanda para resolverem a situação.
Lá disseram que eu tinha meus chacras abertos e uma tendência ao desenvolvimento espiritual, que eu provavelmente continuaria tendo este tipo de visão. Como eu era muito pequena, consideraram mais conveniente uma cerimônia para fechamento deles, mas informaram que o processo poderia ser desfeito depois que eu crescesse, se assim eu desejasse. Sinceramente, nunca desejei, mas acabei abrindo esses chacras depois da minha cerimônia de iniciação, cuja história conto depois.


Visão do tinhoso

Na mesma época quando eu havia adquirido imagens iluminadas de anjos da guarda, cujo acidente com uma vela queimou todos eles, eu parecia estar vivendo uma vida surreal, que não a minha. Sentia-me perdida e até mentia para disfarçar meus temores.
Meu casamento não andava bem, havia traição e desgaste. Nada que fizéssemos parecia bastar. Afastei-me dos amigos e parentes, todos me incomodavam.
Neste processo estranho de reconhecimento, de uma nova mulher que surgia, algo ainda pior aconteceu. Numa noite, após eu ter me deitado depois que todos já estavam dormindo, eu não conseguia entrar em sono profundo, parte de mim mantinha-se desperta, muito acordada, mas num fechar de olhos vi nitidamente uma forma parecida com um homem em forma de diabo. Ele estava deitado em cima de mim, tentando me possuir.
Gritei assustada e meu marido me acudiu. Graças a ajuda dele, que acreditava ter sido um sonho meu, fui me refazendo. Não tinha sido um pesadelo, eu sabia que ainda nem tinha adormecido. Chorei muito e custei para entender o ocorrido. Somente tempos depois é que juntei as pontas de toda a história e percebi que aquilo era resultado da situação pecadora na qual eu vivia e talvez tivesse construído uma imagem como aquela para eu própria me castigar. Me sentia culpada demais, embora não soubesse como evitar tudo o que acontecia.
Todos nós temos demônios pessoais, melhor não invoca-los.


 

Anjos caídos

Houve um tempo na minha vida, em que eu sentia necessidade de um certo preenchimento espiritual, já era casada e tinha dois filhos pequenos.
Eu tinha também uma vizinha que vendia estátuas iluminadas de anjos da guarda e eu me encantei por eles, comprei dela várias peças, devido a formosura.
Numa tarde eu resolvi montar um altar, colocando-os lado a lado, mas como eu desejava fazer orações, acender velas e incensos, optei pela lavanderia, assim não impregnaria a casa com a fumaça. Me lembro que estava cheia de boas intenções, mas passado um tempo, senti cheiro de queimado e corri para ver. A vela havia caído e incendiado a toalha da mesa, inclusive derretido todas as imagens. Corremos um sério risco de acidente mais grave, de pegar fogo na casa, caso eu não estivesse presente.
Me desencantei, percebi que eu não tinha feito uma boa escolha, não de local e nem de imagens. Não senti que as imagens dos anjos me trariam o preenchimento esperado e então desisti deles e joguei tudo fora.


 

Degrau assombrado

Eu e minha família nos mudamos para um sobrado, que estava fechado há tempos. Um amigo indicou-nos devido a nossa urgente necessidade. Ele não parecia muito acolhedor, era escuro e triste, mas não tínhamos muita opção.
Antes da mudança eu e minha mãe abençoamos cada cômodo, pedindo permissão para a nossa entrada. Uma vez sentindo as energias estagnadas sendo dissipadas, não nos preocupamos.
Havia uma escada que levava ao andar de cima e não tinha corrimão de espécie alguma. Como os meus filhos ainda eram pequenos, meus cuidados para com eles era redobrado.
Apesar da atenção, tropeçávamos diariamente em um dos degraus especificamente, brincávamos até que parecia haver um gato invisível deitado nele.
Numa tarde, enquanto eu fazia lanche na cozinha, ouvi um barulho de queda e um grito, corri para acudir. Era meu menorzinho que havia despencado da curva mais alta da escada.
Graças a Deus nada demais aconteceu, ele não se feriu, mas eufórico contava que sentiu alguém empurrá-lo enquanto descia.
Ficamos aterrorizados e então viemos a saber que uma criança havia falecido naquela casa, mas não nos disseram detalhes sobre como aconteceu.
Como não podíamos nos mudar de lá, pelo menos até que a nossa situação melhorasse, tivemos de conviver com o fato, mas passei a acender diariamente uma vela para o menino e colocava naquele mesmo degrau do tropeço. Em orações eu desejava-lhe amor, que partisse em paz.
Nada mais aconteceu, mas permanecemos desconfortáveis e inseguros até que nos mudamos para uma casa melhor e mais iluminada.


Dia do voto

Depois de ter conhecido diversas religiões, optei em escolher o caminho mágico da bruxaria. A cultura celta me ganhou e então fiz meus votos numa cerimônia particular e muito pessoal.
Lembro-me que eu estava decidida, porém temerosa, já que deveria ficar nua numa noite de lua cheia, dentro de um círculo de poder, cujo processo fui aprendendo a realizar com muito estudo.
Na noite da cerimônia, pedi para que me marido se mantivesse atento, mesmo dentro da casa.
Lá no quintal eu montei todo o cenário e obedeci as regras para que a cerimônia fosse realizada a contento.
Eu sabia que deveria ter um nome mágico, um outro nome para reconhecimento dos seres invisíveis já na apresentação, mas eu não sabia qual escolher.
Confiei no chamado e continuei realizando o que havia aprendido e foi quando num momento específico eu escutei ao pé do ouvido, como se alguém estivesse cochichando pra mim e me trazendo um nome: Salobah, que até hoje, após mais de 15 anos, continua sendo o meu nome mágico de reconhecimento no mundo místico.
Tempos depois vim a saber que Salobah provavelmente tenha sido apenas um cumprimento, derivado da palavra Salubá (do Yorubá - saudação de Nanã, a mais velha das orixás femininas, rainha das águas profundas. De onde a água se mistura com o barro e faz-se a lama. Orixá relacionada à criação. Ao início e ao fim. À vida e à morte.), mas que por falta de conhecimento na época, aceitei como meu outro nome.
Não senti nenhuma vontade de questionar nem de muda-lo, a confortabilidade que ele me traz me dá a certeza de que fiz as melhores escolhas.


 

agosto 09, 2017

Persona non grata

"O inferno está cheio de gente com boas intenções."
Quantas vezes já deve ter ouvido tal frase!
É bem assim mesmo, metemos os pés pelas mãos, mesmo quando tentamos ajudar. Nos descuidamos e deixamos de observar os limites de cada pessoa. Acreditando estarmos fazendo o bem, damos um passo na frente e terminamos por estragar tudo.
Ninguém deve arcar com responsabilidades alheias. Ajudar é uma coisa, tomar como suas as dores do outro é bem diferente.
A forma de agir de acordo com as circunstâncias é de cada um. Se parece-nos improvável que as suas decisões facilitem sua vida, que sigam eles então, por caminhos tortuosos, esbarrando numa colheita que não pode ser feita, por falta de plantio e descuido.
Mentes privilegiadas são mentes pensantes, até por demais, decidem resolver o que não deveria ser resolvido por quem está de fora. As nossas certezas podem ser incertezas dos demais e seguir adiante interferindo, nos tornam apenas intrometidos.
Mesmo que bem intencionados, quando nos envolvemos sem sermos chamados, sem pedirem nossa ajuda, faz com que sejamos mal interpretados e os nossos cuidados exagerados nos desabonam.
Fácil entender uma situação complicada quando não se vive diretamente o problema,  difícil deixarmos passar, sabendo que podemos fazer diferença.
A vida de cada um é única e intransferível, trazer preocupações deles para o nosso coração, compromete-nos de forma descabida.
Se desejarmos ajudar, que aconselhemos, não mais. Haverão oportunidades em que seremos chamados e então poderemos na ocasião, decidirmos se nos cabe ou não.
Ajudar não nos custa nada, muito pelo contrário, é até uma satisfação, o fato é que não são todos que pedem ajuda e nem todos sabem recebê-la.
Tudo é um jogo de interesses. Seremos solicitados quando for conveniente , não antes. Inclusive, seremos descartados se não pudermos oferecer tudo o que esperam de nós. Somente seremos essenciais, se decidirem que cabemos no contexto de suas vidas.
É injusto remoer sentimento de insatisfação pessoal, acreditando não estarmos a altura do esperado, pois as pessoas sabem ser cruéis de uma forma assustadora.
Não devemos nos igualar a tamanha mediocridade, somos melhores que isso, e também se julgarmos, seremos julgados. 
Deixemos que a situação se esclareça de forma natural e se formos requisitados, mesmo que ao nosso ver tardiamente, decidiremos no momento se devemos aceitar ou recusar o pedido.
As aparências podem nos enganar, nem sempre aqueles que nos parecem vulneráveis, realmente os são.

do livro em andamento Histórias de nossas vidas

Reticências de uma terça...

Sabem porque o número de enfartes femininos é bem menor do que os masculinos? Sabem, claro que sabem, mas eu digo assim mesmo. Porque as mulheres falam sobre o que sentem. Exteriorizam sua raiva, sua frustração, sua tristeza; em suma, colocam para fora o que não cabe mais dentro do peito. Quem se reserva demais, fica remoendo tudo isso e vira pó de pimenta, entupindo as veias do coração.
A merda é que falar não resolve, mas até que alivia.
Nem precisa de gente para responder, apenas ouvir.
Nem quem passe a mão na cabeça, falar é só válvula de escape.


Com versos, minh'alma feita... 
decora cada dia de minha vida.


Se deixarmos nos abater pelas grandes dificuldades que enfrentamos diariamente, nem levantamos da cama. Bora correr atrás da alegria que já conhecemos e que deve prevalecer a todo instante.

Fantasiamos nossa vida, 
porque assim parece mais fácil absorvê-la.



Se mentias, fingi acreditar. Preferi assim.
Veio, olhou e nem sei se gostou do que viu.
Nada falou, saiu de mansinho.


Não pude ser tudo o que desejei, 
de alguma forma vou aceitando o que me cabe.


Pode até ser complicado, difícil, quase impossível, mas se desistirmos jamais saberemos.


O que me cabe é aceitar. 
Só não disse que seria passivamente.


Já fui menina moça e até donzela. 
Hoje uma louca tomou conta de mim.

Verdadeira ilusão de um escritor


Todo escritor poético deve também ser um bom observador, pois são nas experiências diárias que colhe grande parte da informação que necessita. O que para uns é apenas corriqueiro, para outros abastecimento de novas ideias.
Olhando silenciosamente tudo a sua volta, percebe detalhes ignorados pela maioria. As pessoas vivem mergulhadas em problemas e compromissos e agem mecanicamente. Esse processo desgasta e desqualifica.
Quem dedica-se a escrever, precisa de muitos assuntos, pois se contar apenas sobre sua própria vida, se tornará cansativo.
É com a percepção aguçada que enxerga os acontecimentos com clareza e é capaz de descrevê-los das formas mais diversas, dependerá muito da conotação que deseja dar ao novo texto. 
Tem dias que acorda determinado, mas ainda não sabe sobre o que vai escrever. Sai às ruas e busca incansavelmente motivação para sua alma faminta. 
Escreve facilmente sobre alegrias, mas não com a mesma leveza sobre tristezas. Provando de desafetos é um autêntico sofredor de momento; ele precisa sentir essa dor, para que então entenda a profundidade do sentimento. É até patético vê-lo vivendo tais situações, mas para ele é necessário.
Vive de amar tudo e todos, ama exageradamente qualquer coisa. Compõe versos até desconexos, mas entende que apesar das pobres rimas, ainda se faz entender.
Não é uma pessoa depressiva, mas aceita a depressão de forma natural, porque sabe da sua importância. Pesada é essa bagagem, a da tristeza, ainda por cima nas decepções, porque deixa revelar a uma intimidade constrangedora.
Mais do que qualquer pessoa, um escritor aprende a conviver de uma forma harmoniosa com todo tipo de emoção, inclusive as exaustivas. Chega até o fundo de cada poço só para conferir o nível de água que ainda resta. Dá a sua cara a tapa porque aprendeu a aceitar derrotas, porque já conhece bem suas limitações e sabe dar a volta por cima. A tristeza ingerida de uma só vez é vomitada em goles e desaforos. 
São pessoas sensíveis e alguns até sensitivos. Seu coração age como uma esponja, absorvendo também o que outros estão sentindo.
Ri com suas loucuras, chora quando não se livra delas. Vive cada emoção ao extremo, porque é assim que lhe cabe expressar.
Quem lê um único texto de um determinado escritor, não chega a conhece-lo de verdade, precisaria ler vários deles, para saber que é apenas um personagem em meio as histórias.
Carrega os sentimentos da humanidade, mas falta-lhe um pouco mais de humildade, para deixar de falsear a vida tanto assim.

do livro em andamento Histórias de nossas vidas