dezembro 29, 2016

Perdas


Precisamos perder a mania de nos oferecer por inteiro a quem somente entende uma das nossas metades. A ser um livro incompleto, afinal é importante chegar à uma conclusão.
Perdemos o medo das sombras, mas não do escuro. E nem são fantasmas que nos assombram e sim pessoas que nos mostraram o tamanho da sua escuridão.
Perdemos o jeito de encantar só com olhares, então buscamos palavras que ainda possam surpreender. Nos perdemos no meio do caminho e nem sabemos mais onde pretendíamos chegar.
Em meio a tantas perdas, perdemos também o motivo e a empolgação. Caiu inclusive no esquecimento toda a razão de um dito amor. Não faz o menor sentido haverem tais perdas, pois sequer percebemos antes, que tínhamos tanto a perder.
Nenhum de nós fora feito para elas, entender ou sequer aceitar.
Perder significa abrir mão, deixar ir sem o nosso consentimento.
Perder alguém por morte é horrível, deixa um vazio eterno, uma sensação de invalidez, de imobilidade.
Perder alguém porque deixou de nos amar é ainda pior, porque não podemos voltar, já que para nós não há mais espaço.
Perde a graça
Quando você dá o melhor de si e não é entendido.
Quando você se desdobra e não é reconhecido.
Quando parece transparente. Quando deixa de fazer diferença.
Apesar de reconhecer limites, não vê maldade e espera pelo menos algum retorno.
Que aprendamos a esperar menos, já que assim não teremos tantas expectativas.