janeiro 17, 2017

Preconceito não tem berço

Já vivi situações das mais adversas nesta minha longa vida, mas não tão longa a ponto de eu não desejar que continue, diga-se de passagem.
Já fui uma pessoa de vida mais simples, pois minha família sempre foi humilde, porém vivíamos numa casa limpa e arrumadinha; mamãe e vovó faziam questão.
Por conta de minhas limitações financeiras, eu não podia ter as melhores roupas e sapatos e então era discriminada por pessoas de maiores posses, principalmente no colégio. Hoje entendo bem isso, mas não significa que eu aceite.
Já fui também alguém que esteve numa situação financeira melhor. Naquela fase podia cortar os cabelos em cabeleireiros de luxo, embora jamais tenha comprado uma roupa ou um acessório de grife, por opção. Nesta fase também sofri preconceito, que veio até de pessoas bem próximas. Eram piadinhas sobre a nossa nova classe social, sobre o meu novo jeito de me vestir e talvez até de me comportar. Não me lembro de ter mudado, mas eu devo ter sim, já que mais de uma pessoa se surpreendia com algumas de minhas atitudes; fico a pensar. Mas é o seguinte, nada justifica a diferenciação de tratamento. Ele deve ser o mesmo para pessoas de todas as classes, pelo menos deveria.
Já sofri preconceito com relação ao peso. Quando eu era mais magra, percebia que as pessoas me tratavam melhor, me respeitavam mais. Hoje, embora não seja gorda, só esteja um pouco acima do peso, percebo olhares de lado, meio que quando a pessoa fica medindo a gente. Cheguei até a pensar que talvez fosse coisa da minha cabeça, que eu estivesse me sentindo mal com minha atual forma arredondada e por causa disso me sentindo vulnerável, mas realmente não é; avaliei depois, longe do momento em que estava envolvida emocionalmente.
Todo mundo gosta de ver gente bonita, gosta de conviver com gente bonita, que se cuida, que não se larga. Que combina roupa e não sai por ai de qualquer jeito. Quando há desmazelo na aparência, a primeira coisa que se pensa é que a pessoa não tem amor próprio, que não almeja nada melhor e consequentemente não serve como companhia.
Se cada um cuidasse da sua própria vida e se preocupasse somente em cuidar dos seus preconceitos, não existiriam pessoas tão infelizes. Não existiriam discriminados e nem depressão.
A sociedade é cruel, massacra quem não está dentro dos padrões exigidos, isto é, regalias são para os mais bonitos e para os que  tem mais dinheiro.
Isso que dá absorver essa dita cultura diária dos exemplos televisivos como novelas e “reality show” da vida, que nada acrescentam, ao contrário. São plantados valores absurdos de moral na cabeça das pessoas e justamente aquelas que tem preguiça de pensar é que são as mais influenciadas;  pior é que fazem parte de uma grande maioria.
É preciso ter muita coragem para encarar toda essa realidade de frente sem se sentir mal, sem se importar com a opinião alheia.
É por essas e outras que eu digo: Se quiser gostar de mim, goste pelo que sou e pelo que digo, jamais vou mudar, como sei nunca mudei. São as pessoas que me enxergam de forma diferente, e dependendo da situação, talvez até por inveja. Sou quem sou, doce e casca grossa ao mesmo tempo, mas é que não tenho mais paciência alguma com debilidades mentais espontâneas.
Quer fazer por merecer? Quer que gostem de você? Quer ser aceito? Primeiro pergunte-se no espelho porque precisa se sentir um dos mais importantes, porque precisa fazer tanta diferença, se que quem vive a sua vida real é só você.