março 31, 2017

A falta de razão

De coração ingênuo, preferimos acreditar no bem, mas continuam morando em nós aborrecimentos, aflições e inconformidade. Nem todo conhecimento do mundo nos tornam espertos.
Nossos passos traçam uma linha, como quem traça trilhas mágicas, desenhadas por uma caneta de poder ilimitado. Idealizamos grandes feitos, magníficas realizações, mas na volúpia dos nossos exagerados sentimentos, nada parece nos bastar. De breve contentamento, nossa alma s

e refecia, e uma vez acomodada, talvez sossegue.
Por caprichos do destino, afastam-se de nós muito do que desejamos ficasse para sempre, perdemos o aconchego das certezas e entre os lençóis da nossa tristeza, derramamos estrelas nesse leito de inverdades. Preferíamos viver de completo amor, não de migalhas, sem mendigar atenção.
Viver muitas vezes parece um passeio enfadonho, onde jamais encontramos descanso para nosso tão exigido comportamento. É somente na indecência consentida, que talvez encontremos o desfecho, respostas para tamanhas incertezas. Somente em desatino, é que talvez possamos descansar nossa pensante cabeça, mesmo que nuvens de inexatidão.

do livro em andamento Deixa Partir