março 17, 2017

Prisão dos sentimentos

Escraviza-me depender do que eu mesma não posso prover e os injuriados enganos do destino fazem perpetuar ainda mais esse desalento. Falta-me grande contentamento, um que me ocupasse a mente sem o fadado sofrer. Porém, nessa minha modesta formosura do bem querer, num lampejo, sinto nuances de ternura, cujos anseios desconhecem os limites. Em labaredas me deixo consumir... pobre coração o meu, pouca razão me resta.
Pudera ainda me fizessem a corte como nos tempos de outrora, mesmo que a recusasse. Violando-me o tempo dessa lassidão, talvez eu não mais contasse as horas como as conto, nos dedos.
Uma breve alegria dessa poderia inclusive ser entontecedora, ainda que soubesse também abrir fissuras, discórdias rebuscadas, já que de fino porte, não fora feita para repentes e sim para eterno amor.

(do livro Deixa Partir)