março 31, 2017

Tem coisas que é melhor não ver

Palavras como estas, nós mulheres já ouvimos de nossas mães e avós, mas elas viviam noutros tempos, ainda mais difíceis, numa época de submissão. Homens podiam fazer praticamente tudo e as mulheres driblavam cada situação, mantendo assim o equilíbrio familiar. Elas sabiam do comportamento inadequado dos seus maridos, mas se calavam, e pior, remoíam sua insatisfação trancando a sete chaves cada tristeza acumulada.
Não vivemos mais nesses tempos e nenhuma de nós aceita calada o que não nos convém. Sabemos exigir respeito, exigir compreensão e cumplicidade, mas somente depois de termos também constituído família, é que podemos alcançar a tamanha profundidade dos sentimentos delas. 
Sabemos que para uma união vencedora,  é preciso que duas pessoas se amem e se queiram mais do que tudo e que alguém a mais somente irá atrapalhar. No entanto, mesmo já tão acordadas para a vida, ainda assim esbarramos nas inconveniências matrimoniais que todo casal conhece bem.
Para nós as mulheres, mesmo nos tempos modernos, ainda foge do controle o entendimento e aceitação. Mesmo que saibamos enfrentar as dificuldades de uma a vida à dois, enfrentar a já ineficiência de um gasto relacionamento, provamos de uma insatisfação absurda diante de determinados argumentos.
Magoadas, lembramos de nossas progenitoras, mulheres de fibra, que por nós muito suportaram, mas mulher alguma tem que suportar nada, os direitos precisam ser iguais.
Em nome de uma relação até certo ponto estável, de uma conformidade emocional, desistem de serem ouvidas e por não fazerem mais diferença, consequentemente são ignoradas e maltratadas por quem não as merecem.
Se homens precisam tanto provar das volúpias dos seus próprios desejos incontroláveis, que o façam de comum acordo. Por mais que nos indignemos com a situação, eles continuarão com suas curiosidades, ainda pretendendo provarem de novidades sexuais, não há muito o que se fazer, parece da sua natureza. O problema, é que o conceito moral à nós ensinado, não permite que aceitemos de bom grato tais novidades.
Tenho a dizer inclusive que a frase correta para interpretar o pensamento seria “ seus homens não são fiéis como imaginam, se não as traíram, somente não as traíram AINDA”. Cruel, mas verdadeiro.
Não desejando sermos vistas como vemos as mulheres do nosso passado, é preciso ficar à frente, encarar, pois não adianta viver na ignorância, sabendo que a tentação conhece cada endereço.
“ O que os olhos não vem o coração não sente.”
Nenhuma mulher que conheço haverá também de concordar com esta nova afirmação, mas em nome da felicidade e harmonia que pretende manter, é melhor tomar uma atitude urgente: finja então que nada sabe ou o acompanhe.

do livro em andamento Pé na Roça