abril 07, 2017

A casa da minha infância


Vida de luta, mas uma vida de amor.
No canteiro de casa sempre tinha flor.
Na cama dos nossos pais, logo no domingo bem cedinho, ficávamos deitados eu e meu irmãozinho Luiz.
Em casa só tinha uma televisão e então de olhinhos vidrados, assistíamos aos desenhos animados Batfino e Jambo e Ruivão. Tinha também o Gato Felix, mas nenhum de nós gostava muito.
Fim de semana era dia de festa, dia de refrigerante. Depois do almoço a gente brincava junto de minha prima Simone. Ela morava no mesmo quintal, só que em casa diferente.
Minha tia Neusa era bem legal quando eu era pequena, depois ela ficou chata e distante.
Meu tio Alberto era da polícia militar e adorava ficar ouvindo música bem alto nos dias de folga. Era fã do grupo Originais do Samba, aquele em que cantava o Mussum.
Naquele tempo a gente ria muito e não imaginava como vida de adulto é tão complicada. Conveniente a música do grupo que ouço agora Esperanças Perdidas.
Moramos lá por quase toda minha infância e não entendia porque um dia todos nós tivemos que mudar. Só muito tempo depois, quando eu já era grandinha, que soube as casas serem nossas, dadas pelo nosso avô, só que ele teve de usar para pagar dívidas e então as perdemos. Nunca mais meus pais puderam ter uma casa própria.
Minhas mais lindas lembranças vem dessa casa. Deveria inclusive ser lei ter um quintal.


do livro em andamento Pé na Roça