abril 11, 2017

Elo partido

Sutilmente é que vamos percebendo os deslizes. O que entrega a culpa é uma palavra dita sem querer, um olhar pego de surpresa, uma negação sem motivo. Mas não somos feitos para desacreditar, mesmo quando a insatisfação pode ser vista a olho nu.
Nos entregamos às convictas certezas, às fantasias do eterno e insuperável, porém, o mundo dá voltas, ah se dá, um dia o que está próximo de nós fica distante e vice e versa.
As consequências do que se faz tem retorno, e um dia, mesmo que demore, há de ser revelado. Nenhum de nós é infalível, não somos quem possa honrar todo e cada comprometimento cem por cento das vezes, mas uma vez tendo-se exaurido o contentamento pleno, acabamos por procurar uma válvula de escape, algo que mude a situação entorpecedora, na qual sem perceber nos permitimos acorrentar.
Já cansados de relações estreitas e comprometedoras ao extremo, desejamos liberdade, mesmo que nossas asas já estejam um tanto enferrujadas. Pretendemos com elas ganhar os céus, mas a convicção é feita apenas de aparências. Uma vez termos decidido nos unir a outra pessoa, o elo mesmo que partido, ainda continua sendo a extensão da corrente. Sabendo que esta corrente não nos oferece mais segurança, não se tem mais aquela confiança de sempre, seremos também responsáveis pela continuidade.


do livro em andamento Deixa Partir