abril 07, 2017

Guerra e paz

Nem é preciso perder noites de sono pensando numa possível invasão alienígena. Me constranjo com a vergonha alheia, me envergonho como ser humano, pois caminhamos insistentemente para a destruição.
Embora muitos sejam pessoas do bem, vivendo uma vida honrosa e digna, aqueles do poder, são os que tomam as decisões por nós. O pior disso tudo é que foram eleitos, demos à eles o poder e somos cúmplices de uma incompetência exacerbada.
Nos deixamos manipular e parecemos até dissimulados, ignorando o óbvio.
Mas de que adianta toda essa nossa irritabilidade, essa nossa sofrência, se indignação não resolve situação alguma.
Perdemos a voz há muito tempo e permanecemos nessa luta desenfreada, apegando-nos à coisas sem sentido. Apegados a valores falsos, acreditando que assim a imaculada imagem do bem possa existir e sobrepor-se à qualquer mau.
O nosso desapego pela verdade, nossa comodidade em aceitarmos calados todos os erros que testemunhamos nesse mundo é completamente incoerente.
Somos burros ou retardados, só pode ser. Informações pertinentes às crises nos chegam disfarçadas, querem que acreditemos que tudo vai bem e melhorar, mas como? Como é possível que isso aconteça num mundo que já ultrapassou todo limite da decência?
Enquanto a nossa vergonha era apenas nacional, parecia que só nos faltava paciência, até que tudo fosse colocado no lugar. Muitos de nós até idealizamos viver em outra parte, num mundo mais educado e preocupado com bem estar geral; mas não, não há lugar seguro, em cada parte desse sofrido globo terrestre, há uma civilização insatisfeita, cujos líderes são os soberanos da mediocridade.
Não é com guerra que se resolvem diferenças, mas com amor.


do livro em andamento Deixa Partir 




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contra base aérea na Síria.