maio 18, 2017

Eternos abraços

Tomei gosto pela vida assim que nela cheguei.
Numa bolsa de carinho fui envolvida, até que estivesse preparada.
Fui apressada, queria começar logo, conhecer, ver o que os outros faziam e que me parecia muito interessante.
Mamãe teve uma enorme paciência, já que eu me esticava o tempo todo, parecendo dançar em sua barriga.
Embora quisesse muito sentir o lado de fora, quando nasci, eu chorei. Estava acostumada com o aconchegante colo e me senti amedrontada; me senti um pouco culpada também, já que sem entender a razão, logo nos primeiros instantes recebi um tapinha na bunda.
Não sabia que assim deveria acontecer o despertar do primeiro fôlego, mas me conformei e me calei quando vi os doces olhos daquela mulher que eu já admirava. Visualmente emocionada, logo me pegou nos braços e me acalmou.
Abraço como aquele primeiro, eu continuei a receber por toda a minha existência. É o tipo de carinho que jamais dispensamos.
Com mamãe eu aprendi a abraçar, demonstrar amor à todas pessoas que me quisessem bem. Gostei tanto da sensação transmitida, que continuo abraçando todas as chances de felicidade. Abraços são sinceros, de uma ingenuidade tamanha.
Embora hoje eu não possa mais abraçar e nem ser abraçada fisicamente por aquela que me trouxe ao mundo, os abraços que recebo são de saudade, abraços espirituais de gratidão.
Abraços são laços que nos unirão por toda eternidade.


do livro em andamento Encantamentos Místicos