maio 03, 2017

Meus 55 anos



Embora eu tenha encontrado logo cedo o grande amor da minha vida e ele ter me lapidado, ainda assim grande parte de mim é dura e fria; cresci feito uma pedra bruta.
Por conta dos meus exageros sentimentais, já meti os pés pelas mãos inúmeras vezes. Magoei pessoas importantes, tudo porque fui grossa, mesmo que não tivesse a intenção de machucar. Minha indelicadeza assusta e intimida, minha franqueza mais ainda.
Reconheço ser de grandes limitações, mas durmo tranquila porque jamais vendi uma imagem que não fosse a minha. O mesmo motivo que faz com que pessoas se aproximem, faz também com que outras se afastem, porém, não sei ser diferente.
Percebo que muita coisa errada eu poderia ter evitado, se pensasse mais antes de falar, mas já aos meus 55 anos, me parece improvável que mude.
Aos que conseguiram ficar ao meu lado até hoje, os meus mais sinceros agradecimentos. Aos que não mais me suportaram, lastimo e peço perdão por não ter sido quem esperavam. Da minha parte tenho a dizer que cada pessoa que passou pela minha vida deixou uma marca significativa, e como minhas próprias tatuagens, me recuso a retirá-las. Eu também já fui muito magoada por quem interpretou errado minhas palavras, entendo bem a necessidade de aprender a perdoar, mas nada exijo, porque eu mesmo não consigo fazê-lo.
Todo dia é um novo dia, temos uma nova chance de resgatar o que foi perdido e eu sem dúvida faço de tudo para melhorar, é um processo ininterrupto, um compromisso assumido.
Usam-se véus para encobrirem vergonhas, pois estariam assim revelando detalhes muitos pessoais, o meu véu rasguei há tempos, porque quero que me conheçam pelo que sou, me aceitando ou não.
Hoje é o primeiro dia de uma nova etapa e não quero e nem vou desperdiçar nenhuma oportunidade.