junho 14, 2017

A armadilha

Segui por novo caminho, desta vez evitei a trilha da serpente. De longe eu podia observá-la, cabeça virada, ansiosa para que eu voltasse.
Refiz minha rota, sabia que esta também me levaria longe.
Andei repaginando sentimentos. Eles até podem ter as mesmas características de antes, já que é com intensidade que eu continuo vivenciando-os, mas tenho um novo coração. O de antes fora maltratado, parece até que voltou de uma guerra. Este é vistoso, tanto que chega a ser exibido.
Embora eu ainda continue permitindo que possa ser conduzida, agora sou eu quem decide os caminhos; se ele falar demais, eu apenas o ignoro.
A vaidade que alimentava a serpente adormeceu, deu lugar a tranquilidade, tanto de corpo quanto de alma.
Houve ineficiência de minha parte, quando deveria ter tomado atitudes que evitariam tamanho desgaste, mas já que não o fiz em tempo, corro contra o tempo, para compensar o perdido.
Atenta, tomo cuidado redobrado para que eu não pise novamente na armadilha da ilusão, cansei de ser presa das aparências.


do livro em andamento Recomeço