junho 28, 2017

Escombros sentimentais

Nosso corpo funciona como a precisão de um relógio, cada pedacinho da gente deve permanecer em bom estado. Quando qualquer parte dele não vai bem, compromete o andamento geral.
Nossa mente é um maquinário mais complexo ainda, são milhares de informações armazenadas e outras tantas que são acrescentadas constantemente. É até fácil entender o porque muita gente fica completamente louca, pois é quando alguns dos parafusos se soltam, desregulando tudo.
O estresse da vida, a quantidade de responsabilidades e compromissos saturam nossa mente já cansada e então parte dela para realmente para de funcionar. Um forte trauma, uma dor absurda vivenciada, faz também com que percamos parte essencial da memória. É quase que impossível resgatá-la, só mesmo com tratamento, sob vigilância de especialistas, mas nem assim podemos nos assegurar que ela volte a ser como era antes.
Quando a nossa mente fica comprometida, quando ela passa por problemas graves, informações se apagam e então perdemos parte da nossa valiosa bagagem. Quando nos esforçamos para resgatá-las, abrimos gavetas inesperadas e começamos novamente a reviver sentimentos que não mais desejamos. O arquivo morto é acessado e percebemos que ele não estava realmente enterrado, apenas escondido no mais profundo inconsciente. Reviver antigas lembranças nos deixam ainda mais vulneráveis.
Para nos mantermos ávidos e espertos, usufruindo apenas dos nossos bons sentimentos, precisamos deixar os tais arquivos ultrapassados onde foram colocados, mesmo que involuntariamente. Para o bem da nossa sanidade mental, bom que aprendamos a viver novas experiências, deixando as antigas no passado.
Já somos, todos nós, loucos na medida suportável, não precisamos cavar nos escombros dos nossos terremotos, porque uma vez as histórias terem já sido soterradas, não nos servirão para mais nada, e só nos resta por elas lamentar.

do livro em andamento Histórias de nossas vidas