junho 01, 2017

O Segredo visto com outros olhos

Se tem algo que me tira o sono, é o tal do “Segredo”.
Sou uma pessoa simples, daquela como você, que gostaria muito de entender a magia dessa ciência.
Não cursei faculdade, porque nunca tive dinheiro. Filha de pais ricos apenas em espiritualidade.
Por vontade própria aprendi muito do que pretendia. Sendo auto- didata, foi o recurso que encontrei, já que era o que me cabia nos meus anos de formação. Dentre as diversas artes a que me propus a conhecer, o estudo do esoterismo foi uma delas. Preenche minhas necessidades espirituais e me completa, mas falta algo.
Em meio aos diversos assuntos, este sobre o “Segredo”, já tão conhecido por tantos, ainda não me ofereceu informações suficientes. Sobre ele não posso dizer que já aprendi o necessário, como aprendi sobre auto estima, sobre mentalização e outros estudos que me deram base necessária. Tenho a impressão que passarei o resto da vida tentando compreende-lo.
Sou do tipo de pessoa que não se satisfaz apenas com fórmulas, eu preciso compreender mais a fundo acerca do proposto. Mesmo já conhecendo os princípios, parece-me afirmações subjetivas.
O “Segredo” basicamente nos conta sobre o nosso poder diante os acontecimentos da nossa própria vida, cuja responsabilidade é somente nossa. Foca na importância de como pensamos, mas se for assim, se bastasse apenas entender, deveria então funcionar a contento, mas não funciona.
Se realmente só dependesse dos nossos pensamentos positivos, seríamos muitos de nós, os que estariam mais próximos do nirvana material, usufruindo da bagagem potencial que nos oferece.
Não é por falta de pensamentos afirmativos que coisas boas deixarão de acontecer-nos, deve haver algo mais que nem eu e nem você ainda descobriu.
Diz-se também sobre o “Segredo”, que precisamos visualizar os sonhos como já realizados. Visualizarmos como já concreto e assim provar dos frutos, da alegria de nossas conquistas, ainda que surreais.
Se a nossa mente é tão poderosa a ponto de determinar o andamento favorável e tão esperado, o que impede que portas se abram? Provavelmente sabemos das portas, mas não temos a chave certa.
Se há uma chance igual para que de certo ou errado, porque então numa grande maioria precisamos aceitar a segunda opção? Se uma fatia de pão com manteiga cai da nossa mão, provavelmente é a manteiga virada para baixo que chega primeiro ao chão. Se há buracos na estrada e desviamos deles, atentos, porque ainda assim atolamos?
O “Segredo” nos mostra que somos nós, mesmo que inadvertidamente, fazemos acontecer, pois esperávamos que acontecesse. Você concorda? Se policiando os pensamentos somos cuidadosos, não haveria razão alguma. Nenhum de nós, já conhecendo os perigos, deseja em sã consciência ser vulnerável a eles.
Ao meu ver, o “Segredo” não nos conta tudo. O buraco é bem mais embaixo e nos recusamos a abaixar para encontra-lo. Entendo que podemos até assimilar de bom grado a sua teoria, mas na prática é bem diferente.
Todos os nossos dias são feitos de revelações, descobrimos potencial em nós e naqueles que nos cercam, descobrimos coisas que nem imaginávamos existisse. Somos candidatos aptos e merecedores de destaque. Todos os dias acordamos cheios de planos e certezas, mas elas vão se dissolvendo conforme as dificuldades vão aparecendo e encobrindo-as. Num dia temos tudo, noutro quase nada. Fomos nós que escolhemos assim? Acredito que não. Quem é que deseja dificuldades, se tudo o que esperamos é que sejamos felizes, um dia mais do que o outro.
Visualizar, sentir, idealizar, acreditar em mudanças necessárias, que sejam favoráveis não parece bastar. Embora estes sentimentos nos motivem, nos ofereçam combustível para continuarmos, estaremos ininterruptamente no aprendizado.
Talvez o “Segredo” seja deixar de esperar, deixar que tudo aconteça porque tem que acontecer. Confiar que outras portas se destranquem, mesmo que não as esperadas; que o conhecimento futuro seja pleno e satisfatório, e acima de tudo, que sejamos merecedores de tudo que desejamos.


do livro em andamento Encantamentos Místicos