junho 07, 2017

Nossos medos

Por medo de alturas, deixamos de se escalar lindas montanhas, embora saibamos que elas nos presenteiam com a grandiosidade dos ares visto de cima.
Por medo de tsunami, deixamos de morar numa casa de praia, cujo silêncio é sabido, acalma aflições.
Por medo de errar, deixamos de cometer a maioria da vida, nos amarrando voluntariamente nas ilusões de confortabilidade, cuja solidão é certa.
Por medo de magoar novamente, nos calamos.
Por medo de sermos mais uma vez rotulados, nos isolamos.
O medo é endemoniado e o alimentamos com a nossa covardia.
A confiança por outro lado, abre portas, mostra-nos rotas antes jamais navegadas; desbravando-as nos tornamos cada dia mais espertos e acordados. A nossa determinação, a nossa coragem se intensifica e uma vez mais fortes, encontramos soluções, mesmo que num primeiro plano não pareçam viáveis.
Que sejam, portanto, contados nos dedos de uma só mão, as promissoras chances que voltaremos a deixar passar; afinal nosso medo é infundado e já tem seu prazo de validade expirado. 
Alguém que errou, é alguém que experimentou a decepção, já mergulhou num mar profundo de tristezas, mas por conta do seu instinto de sobrevivência, voltou à tona e por pura necessidade aprendeu a nadar.
Passado o medo das alturas, da escuridão, não restará medo algum, a não ser... não ter mais tempo de superá-los. 

do livro em andamento Histórias de nossas vidas