agosto 10, 2017

Degrau assombrado

Eu e minha família nos mudamos para um sobrado, que estava fechado há tempos. Um amigo indicou-nos devido a nossa urgente necessidade. Ele não parecia muito acolhedor, era escuro e triste, mas não tínhamos muita opção.
Antes da mudança eu e minha mãe abençoamos cada cômodo, pedindo permissão para a nossa entrada. Uma vez sentindo as energias estagnadas sendo dissipadas, não nos preocupamos.
Havia uma escada que levava ao andar de cima e não tinha corrimão de espécie alguma. Como os meus filhos ainda eram pequenos, meus cuidados para com eles era redobrado.
Apesar da atenção, tropeçávamos diariamente em um dos degraus especificamente, brincávamos até que parecia haver um gato invisível deitado nele.
Numa tarde, enquanto eu fazia lanche na cozinha, ouvi um barulho de queda e um grito, corri para acudir. Era meu menorzinho que havia despencado da curva mais alta da escada.
Graças a Deus nada demais aconteceu, ele não se feriu, mas eufórico contava que sentiu alguém empurrá-lo enquanto descia.
Ficamos aterrorizados e então viemos a saber que uma criança havia falecido naquela casa, mas não nos disseram detalhes sobre como aconteceu.
Como não podíamos nos mudar de lá, pelo menos até que a nossa situação melhorasse, tivemos de conviver com o fato, mas passei a acender diariamente uma vela para o menino e colocava naquele mesmo degrau do tropeço. Em orações eu desejava-lhe amor, que partisse em paz.
Nada mais aconteceu, mas permanecemos desconfortáveis e inseguros até que nos mudamos para uma casa melhor e mais iluminada.