agosto 10, 2017

Dia do voto

Depois de ter conhecido diversas religiões, optei em escolher o caminho mágico da bruxaria. A cultura celta me ganhou e então fiz meus votos numa cerimônia particular e muito pessoal.
Lembro-me que eu estava decidida, porém temerosa, já que deveria ficar nua numa noite de lua cheia, dentro de um círculo de poder, cujo processo fui aprendendo a realizar com muito estudo.
Na noite da cerimônia, pedi para que me marido se mantivesse atento, mesmo dentro da casa.
Lá no quintal eu montei todo o cenário e obedeci as regras para que a cerimônia fosse realizada a contento.
Eu sabia que deveria ter um nome mágico, um outro nome para reconhecimento dos seres invisíveis já na apresentação, mas eu não sabia qual escolher.
Confiei no chamado e continuei realizando o que havia aprendido e foi quando num momento específico eu escutei ao pé do ouvido, como se alguém estivesse cochichando pra mim e me trazendo um nome: Salobah, que até hoje, após mais de 15 anos, continua sendo o meu nome mágico de reconhecimento no mundo místico.
Tempos depois vim a saber que Salobah provavelmente tenha sido apenas um cumprimento, derivado da palavra Salubá (do Yorubá - saudação de Nanã, a mais velha das orixás femininas, rainha das águas profundas. De onde a água se mistura com o barro e faz-se a lama. Orixá relacionada à criação. Ao início e ao fim. À vida e à morte.), mas que por falta de conhecimento na época, aceitei como meu outro nome.
Não senti nenhuma vontade de questionar nem de muda-lo, a confortabilidade que ele me traz me dá a certeza de que fiz as melhores escolhas.