agosto 10, 2017

Homens conversando

Teria sido uma noite qualquer daquele ano, se não fosse pelo encontro que testemunhei. Ao chegar em casa de carro, entrei na garagem; ela era aberta, porque as casas daquele condomínio não tinham muros. Morava num lugar silencioso, longe da agitação das cidades.
Fiquei dentro do carro por alguns instantes, até que eu pegasse minhas coisas. Ajeitei a bolsa nos ombros e já com meus livros no braço, abri a porta para sair.
Havia nessa garagem, que ficava logo na frente, um lindo jardim de inverno. As luzes de fora estavam queimadas, mas eu podia ver as de casa. Assim que apaguei os faróis, nesse jardim vi silhuetas de dois homens conversando. A princípio pensei fosse meu marido com um amigo, mas as sombras não me eram familiares.
Pensei em abordar, mas não queria me intrometer e fiquei observando falarem tranquilamente. Um deles estava de pé, com uma das pernas apoiada num tronco de árvore, que era onde o outro estava sentado. Tentava descobrir quem eram e o que faziam lá, no escuro, e ainda fiquei confusa porque não tínhamos tal tronco no jardim.
Toda vez que eu acendia os faróis eles sumiam, bastava que apagasse, reapareciam. Fiz isso várias vezes, situação estranha que me começava a me amedrontar, principalmente porque notaram minha presença e me olharam. Eram presenças surreais, uma visão fora do comum e então corri para dentro de casa assustada.
Instantes depois meu marido saiu para fechar o carro e saber do que se tratava. Ele nada viu e até sorriu, pensando que eu estivesse imaginando coisas.
Nunca pude explicar a situação e nunca soube quem eram os homens, mas eu tenho certeza do que vi e eles estavam realmente conversando. A questão é que não eram feito de matéria como a conhecemos, eram apenas vultos, silhuetas além vida.