agosto 10, 2017

O portal

Ainda num processo de reconhecimento, após ter feito os meus recentes votos de devoção a bruxaria, já sentia-me desperta, aberta verdadeiramente a experiências não conhecidas, já provava de sensações de um mundo espiritual.
Numa madrugada deite-me na nossa cama, o colchão ficava no chão. Meu marido, que estava ao meu lado, já tinha adormecido, nada presenciou, mas eu sou daquele tipo de pessoa que custa a dormir.
Nesse processo de desligamento da mente pensante, vi um clarão na parede, que ficava logo ao meu lado. Não havia reflexo da luz de rua, já que as janelas do nosso quarto estavam fechadas.
Passei a observar atentamente e foi quando eu entendi que era uma outra janela, só que arredondada; entre eu e a luz no fundo havia uma certa distância. Nela passavam pessoas de um lado para o outro, como se fosse um corredor.
Sentia-me até certo ponto insegura, já que eu não podia explicar o que via, e então, uma delas olhou para mim. Imediatamente levantei assustada. Estaria sonhando?
Foi uma experiência completamente real, embora inusitada, mas talvez eu construa cenários irreais antes mesmo de dormir!
O fato é que me parecia não apenas uma janela, mas um portal. Se eu já estivesse preparada espiritualmente poderia passar, ir ao encontro deles e voltar quando quisesse. Como não tinha conhecimento algum de fato como esse, resolvi me resinar a minha humilde vivência terrena, pois no momento achei que se eu seguisse em frente e atravessasse, eu iria morrer.