agosto 09, 2017

Verdadeira ilusão de um escritor


Todo escritor poético deve também ser um bom observador, pois são nas experiências diárias que colhe grande parte da informação que necessita. O que para uns é apenas corriqueiro, para outros abastecimento de novas ideias.
Olhando silenciosamente tudo a sua volta, percebe detalhes ignorados pela maioria. As pessoas vivem mergulhadas em problemas e compromissos e agem mecanicamente. Esse processo desgasta e desqualifica.
Quem dedica-se a escrever, precisa de muitos assuntos, pois se contar apenas sobre sua própria vida, se tornará cansativo.
É com a percepção aguçada que enxerga os acontecimentos com clareza e é capaz de descrevê-los das formas mais diversas, dependerá muito da conotação que deseja dar ao novo texto. 
Tem dias que acorda determinado, mas ainda não sabe sobre o que vai escrever. Sai às ruas e busca incansavelmente motivação para sua alma faminta. 
Escreve facilmente sobre alegrias, mas não com a mesma leveza sobre tristezas. Provando de desafetos é um autêntico sofredor de momento; ele precisa sentir essa dor, para que então entenda a profundidade do sentimento. É até patético vê-lo vivendo tais situações, mas para ele é necessário.
Vive de amar tudo e todos, ama exageradamente qualquer coisa. Compõe versos até desconexos, mas entende que apesar das pobres rimas, ainda se faz entender.
Não é uma pessoa depressiva, mas aceita a depressão de forma natural, porque sabe da sua importância. Pesada é essa bagagem, a da tristeza, ainda por cima nas decepções, porque deixa revelar a uma intimidade constrangedora.
Mais do que qualquer pessoa, um escritor aprende a conviver de uma forma harmoniosa com todo tipo de emoção, inclusive as exaustivas. Chega até o fundo de cada poço só para conferir o nível de água que ainda resta. Dá a sua cara a tapa porque aprendeu a aceitar derrotas, porque já conhece bem suas limitações e sabe dar a volta por cima. A tristeza ingerida de uma só vez é vomitada em goles e desaforos. 
São pessoas sensíveis e alguns até sensitivos. Seu coração age como uma esponja, absorvendo também o que outros estão sentindo.
Ri com suas loucuras, chora quando não se livra delas. Vive cada emoção ao extremo, porque é assim que lhe cabe expressar.
Quem lê um único texto de um determinado escritor, não chega a conhece-lo de verdade, precisaria ler vários deles, para saber que é apenas um personagem em meio as histórias.
Carrega os sentimentos da humanidade, mas falta-lhe um pouco mais de humildade, para deixar de falsear a vida tanto assim.

do livro em andamento Histórias de nossas vidas